quinta-feira, 12 de maio de 2016

Luis - Sorveira por Osvaldo R Feres

Luis por Osvaldo R Feres



Luis é a segunda letra do alfabeto Ogham e está associada à Sorveira.
A origem da palavra Luis pode vir de luise “chama” ou lus “erva” e tem a mesma raiz proto-indo-européia de leuk “luz”. A chama, como vimos, é um dos símbolos da inspiração poética na mitologia celta.
O nome do deus Lugh, talvez tenha a mesma origem etimológica do fíd Luis, que significa “luz”, porém, alguns estudiosos sugerem que a origem do nome desse deus signifique “juramento”, pois seu correlato gaulês, Lugus, foi identificado pelos romanos com Mercúrio, o deus romano dos juramentos.
Durante muitos anos acreditava-se que Lugh, o deus associado ao fíd Luis, seria uma divindade solar, atualmente acredita-se que este deus, muito importante na mitologia gaélica, está relacionado à luz dos raios e relâmpagos, pois Lugh carrega a sua famosa lança, símbolo dos raios e tempestades. O equivalente galês de Lugh é Lleu Llaw Gyffes, uma divindade caracteristicamente solar, portanto, não descarto totalmente a ligação de Lugh com o sol, como veremos a seguir.
Lugh é filho de Ethiniu e Cian, e neto de Balor, por parte de mãe. Balor foi um rei Fomoriano, (os Fomorianos eram uma antiga raça de gigantes, inimigos dos Tuatha de Danann, os deuses irlandeses) descrito como um gigante com apenas um olho no meio da testa, capaz de matar a quem ele olhasse. Na lenda, Balor ouve uma profecia em que seria morto por seu neto, assim, trancafia sua única filha em uma torre para evitar que ela conheça algum homem que a engravide. Cian, um dos Tuatha de Danann, procurando por uma vaca mágica roubada por Balor, descobre Ethiniu na torre, se apaixona por ela e a engravida. Ethiniu concebe três filhos e Balor afoga dois de seus netos no mar, mas o terceiro, Lugh, é salvo pelo deus dos mares Manannan. Posteriormente Lugh torna-se um rei Tuatha de Danann e os lidera na segunda Batalha de Mag Tuired contra os Fomorianos, que são liderados por Balor, o do olho mau. Lugh mata Balor, atirando uma lança em seu olho mau, que volta-se para sua nuca pela força da lança, matando o exército Fomoriano que estava posicionado atrás de seu rei.
Simbolicamente, Balor, o do olho mau, representa as forças destrutivas do sol, a seca e morte, e Lugh, por sua vez, representa a energia dos raios e tempestades, simbolizado por sua lança, que abranda os aspectos negativos do olho do sol, tornando a estação favorável para o plantio. Portanto, Lugh representa, não somente a tempestade e os raios como, também, as energias positivas e férteis do sol, que propiciam o desenvolvimento da agricultura.

O cerco de Lugh por E. Wallcousins em “Celtic Myth & Legend”

Não é a primeira vez, na mitologia celta, que o sol é comparado ao olho do céu, como vemos na origem do nome da deusa britânica das águas termais, Sulis, que pode significar tanto “sol” como “olho” ou “visão” e tem um interessante paralelo com o fíd Luis, pois na Palavra Ogham de Morann Mac Mainn, refere-se à Luis como: “Luz dos olhos, a chama”.
Outro aspecto importante da letra Luis é sua ligação com o gado e as ervas. A Palavra Ogham de Mac ind Óic diz, referindo-se à Luis: “Amigo do gado, querido do gado é a Sorveira por sua eflorescência e penugem” e na Palavra Ogham de Cu Culainn “Sustento do gado”. Sua ligação com o gado é explicita e significa simbolicamente a riqueza, pois o gado, animal muito importante da mitologia celta, é o símbolo máximo da prosperidade, do alimento e do sustento, e servia, muitas vezes, como moeda de troca entre tribos celtas.
O roubo do gado é um dos temas mais frequentes na mitologia celta e o texto mais famoso sobre esse assunto é o Tain Bó Cuailnge (O Roubo do Gado de Cooley). Como o gado representa a riqueza e o poder, talvez esses roubos eram uma forma de rito de passagem para jovens guerreiros, com a finalidade de adquirir fama e reconhecimento.
No festival de Beltane, que acontece no primeiro dia de Maio e marcava o incio do verão, o gado era solto nos pastos e os antigos druidas conduziam esses animais por duas grandes fogueiras encantadas, para protegê-los de doenças.
Os ramos de Sorveira eram utilizados em encantamentos de proteção do gado, para afastar seres mágicos, proteger-se contra magia e suas bagas vermelhas, que nos remetem ao fogo, também eram utilizadas em contrafeitiços. Na Escócia era proibido utilizar a madeira da sorveira para qualquer fim que não seja para ritos sagrados.
Na Batalha das Árvores de Taliesin, a Sorveira é assim descrita:
O Salgueiro e as Sorveiras
chegaram tarde em seus postos.

Sorveira na pedra em Glen Loyne, Escócia.

Significado oracular:

Luis, o segundo fíd, significa riqueza, fertilidade, sustento, ganhos, prosperidade, alimento, dinheiro, vidência, proteção, inspiração, soluções, animais e a cura de enfermidades. Representa todos os ganhos materiais, posses e bens do consultante.
Em seu aspecto negativo Luis significa ataques psíquicos e estagnação financeira, o momento pede que o consultante proteja-se de energias nefastas que estão a caminho.
Em uma visão mais esotérica, esse fíd simboliza a vidência, ou seja, o olho do sol que tudo vê, assim como a capacidade poética e a inspiração divina, provinda do fogo sagrado, presente no centro dos rituais druídicos como um dos elementos primordiais, ao lado da água.


Referências bibliográficas:

Livros:
BARROS, Maria Nazareth Alvim de. Uma luz sobre Avalon, celtas & druidas. Editora Mercuryo, 1994.
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Editora José Olympio, 2012.
GRAVES, Robert. A Deusa Branca: Uma gramática histórica do Mito Poético. Editora Bertrand Brasil, 2003.
KELLY, Michael. The Book of Ogham. Ebook edition: CreateSpace Independent Publishing Platform, 2014.
KONDRATIEV, Alexei. Rituales Celtas. Editorial Kier, 2001.
LAURIE, Erynn Rowan. Ogam: Weaving Word Wisdom. Megalithica Books, 2007.
MARKALE, Jean. Merlim, o Mago. Editora Paz e Terra, 1989.
MATSON, Gienna; ROBERTS, Jeremy. Celtic Mythology A to Z. Chelsea House, 2010.
MATTHEWS, John. À mesa do Santo Graal. Edições Siciliano, 1989.
MATTHEWS, John. Xamanismo Celta. Hi-Brasil Editora, 2002.
MONAGHAN, Patricia. The Encyclopedia of Celtic Mythology and Folkore. Facts On File, 2004.
MUELLER, Mickie. Voice of the Trees. Llewellyn Publications, 2011.
MURRAY, Liz e Colin. The Celtic Tree Oracle, a system of divination. Connections Book Publishing, 2014.
RUTHERFORD, Ward. Os Druidas. Editora Mercuryo, 1994.
SQUIRE, Charles. Mitos e Lendas Celtas. Editora Record, 2003.

Sites:
http://www.maryjones.us/ctexts/ogham.html
http://www.maryjones.us/jce/jce_index.html




quarta-feira, 11 de maio de 2016

Beith - Bétula por Osvaldo R Feres

Beith por Osvaldo R Feres



Beith é a primeira letra do alfabeto Ogham e está associado à Bétula.
Na mitologia gaélica, Ogma, o criador do Ogham, gravou sete vezes a letra Beith em um ramo de bétula como mensagem ao deus Lugh, avisando-o que sua esposa, Ethliu, seria raptada ao mundo das Fadas “tua esposa será sete vezes levada de ti para o País das Fadas, a menos que a bétula proteja-a.” portanto, beith é uma letra que denota um aviso que está para chegar, um alerta ou uma mensagem.
A Palavra Ogham de Morann Mac Main diz: “Tronco rugoso e cabelos finos” e a Palavra Ogham de Mac ind Óic diz: “A mais prateada das peles”. Essas palavras fazem referência ao Sídhe, ou seja, o País das Fadas e seus habitantes etéricos. O Ramo de Prata, uma referência ao galho da bétula, está associado ao deus dos mares e névoas Manannan Mac Lir, normalmente esse ramo é descrito como de macieira, pois em sua ponta há maçãs douradas e daria acesso ao Outro Mundo dos celtas, mas, como vimos a bétula é descrita como a árvore prateada.
A cor associada ao fíd Beith é Bán, ou seja, branco e representa a pureza, a divindade e a purificação. Na mitologia celta a cor branca estava associada aos deuses e fadas, sendo que a palavra Finn em gaélico e Gwen em galês significa tanto branco como divino e encontramos essas palavras em nomes de algumas divindades e heróis celtas.
Como beith está associada à purificação, não podemos deixar de citar o festival celta da purificação, o Imbolc. Esse festival, que acontece no dia 01 de Fevereiro, marca o início da Primavera e seu correspondente galês é Gŵyl Fair y Canhwyllau (festa das velas de Maria). É um festival em honra à deusa ou santa Brighid, onde o fogo, símbolo da deusa, e a purificação tinham papel importante nos rituais. Uma possível origem da palavra Imbolc seria “limpar, purificar” e era também o período da lactação das ovelhas e vacas, sendo que o leite era um elemento associado à purificação, talvez por sua cor branca.
A deusa Brighid, talvez uma das mais importantes do panteão celta irlandês, é filha do Dagda, o Bom Deus, e é a deusa patrona da poesia, medicina e artes em geral, acredita-se que sua correspondente seja a deusa galo-romana Brigantia, adorada na Britânia, Gália e Celtibéria. Seu nome advêm de um radical proto indo-europeu que significa “A Elevada” e talvez seja a mesma deusa que César chama de Minerva, associada às artes. Segundo o Glossário de Cormac, Brighid é “a deusa em que os poetas adoram” e possuía duas irmãs, a ferreira e a curandeira, todas essas funções estão associadas ao poder positivo do fogo, ou seja, o fogo da cabeça que concede a inspiração aos poetas, o fogo da purificação que traz a cura e o fogo da forja que transforma e cria.

S. Bridget por John Duncan 

Na Escócia, a cruz de Brighid, um símbolo do fogo, era confeccionada com ramos de bétula. Também era costume utilizar uma vassoura das folhas de bétula para limpeza ritual e sua madeira era comumente utilizada para rituais de proteção e exorcismo. O bosque de bétulas era a morada do duende escocês Ghillie Dhu.
Segundo o Bardo Taliesin, em seu poema A Batalha das Árvores, a Bétula é descrita da seguinte forma:
A Bétula, apesar de sua mente elevada,
Atrasou-se antes que ele (o tojo) fosse enfileirado.
Não por causa de sua covardia,
Mas por causa de sua grandeza.

Bosque de Bétulas

Significado oracular:

Beith, o primeiro fíd, significa purificação, limpeza, novidades, notícias, mensagens, alertas, eloquência e livrar-se do que é velho e o impede de prosseguir. É o renascimento e o recomeço de uma situação, denota um novo projeto ou uma nova fase na vida do consultante.
Quando esse fíd sai em uma jogada pode significar um período de provação, dor ou sofrimento, pois, isso faz parte do processo de purificação que o consultante está por passar. O desafio é sair da zona de conforto e abraçar o novo.
Em uma visão mais esotérica, representa contatos com Fadas e seres divinos, assim como, mensagens do Outro Mundo. Não é descartado a possibilidade de perigo envolvendo o Sídhe, pois é um fíd de alerta e atenção. Também representa a chegada da primavera e o florescer de uma nova fase. 


Referências bibliográficas:

Livros:
BARROS, Maria Nazareth Alvim de. Uma luz sobre Avalon, celtas & druidas. Editora Mercuryo, 1994.
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Editora José Olympio, 2012.
GRAVES, Robert. A Deusa Branca: Uma gramática histórica do Mito Poético. Editora Bertrand Brasil, 2003.
KELLY, Michael. The Book of Ogham. Ebook edition: CreateSpace Independent Publishing Platform, 2014.
KONDRATIEV, Alexei. Rituales Celtas. Editorial Kier, 2001.
LAURIE, Erynn Rowan. Ogam: Weaving Word Wisdom. Megalithica Books, 2007.
MARKALE, Jean. Merlim, o Mago. Editora Paz e Terra, 1989.
MATSON, Gienna; ROBERTS, Jeremy. Celtic Mythology A to Z. Chelsea House, 2010.
MATTHEWS, John. À mesa do Santo Graal. Edições Siciliano, 1989.
MATTHEWS, John. Xamanismo Celta. Hi-Brasil Editora, 2002.
MONAGHAN, Patricia. The Encyclopedia of Celtic Mythology and Folkore. Facts On File, 2004.
MUELLER, Mickie. Voice of the Trees. Llewellyn Publications, 2011.
MURRAY, Liz e Colin. The Celtic Tree Oracle, a system of divination. Connections Book Publishing, 2014.
RUTHERFORD, Ward. Os Druidas. Editora Mercuryo, 1994.
SQUIRE, Charles. Mitos e Lendas Celtas. Editora Record, 2003.

Sites:
http://www.maryjones.us/ctexts/ogham.html
http://www.maryjones.us/jce/jce_index.html



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Origens Mitológicas do Ogham


Origens Mitológicas por Osvaldo R Feres



Segundo o Auraicept na n-Éces (manuscritos medievais, constituído de quatro livros) nos conta que o criador do Ogham foi Fénius Farsaid. Fénius foi um rei cita que após a queda da torre de Nimrod (torre de Babel) juntou uma comitiva de 72 estudiosos que analisaram as línguas dispersas após a queda da torre. Depois de dez anos de investigação ele, Fénius, criou a Bérla tóbaide “língua escolhida” a partir do que havia de melhor nas línguas dispersas e a chamou de Goidélico. Criou também o Beithe-luis-nuin (como é conhecido o Ogham, constituindo-se da primeira, segunda e quinta letra) como sistema de escrita aperfeiçoado para o idioma criado. Ele nomeou cada letra a partir do nome de seus 25 melhores estudiosos.
O Auraicept afirma que Fenius Farsaidh descobriu quatro alfabetos, o hebraico , o grego, o latim e finalmente o Ogham, e que o Ogham é o mais perfeito, pois foi o último a ser descoberto.
Este é seu número: há cinco grupos de Ogham e cada grupo tem cinco letras e cada uma delas é contada de um a cinco e suas orientações às distinguem. Suas orientações são: à direita da haste, à esquerda da haste, através da haste, com a haste e em torno da haste. O Ogham é escalado como se uma árvore fosse escalada...”
Fragmento do Auraicept na n-Éces.
No tratado sobre Ogham (In Lebor Ogaim) o Ogham foi inventado por Ogma mac Elathan. Ogma é membro da Tuatha de Danann (tribo de deuses irlandeses), e era descrito como hábil no discurso e na poesia. Alguns estudiosos veem em Ogma uma faceta do deus Ogmios gaulês.
A primeira mensagem escrita em Ogham foram sete B´s em um galho de Bétula, que foi enviado como um alerta para Lug mac Elathan, com o seguinte significado: “a sua mulher vai ser levada sete vezes para o outro mundo, a menos que a bétula possa protege-la.” Por esta razão, a letra B foi associada com a Bétula.
O In Lebor Ogaim nos diz que os nomes das letras do Ogham foram dados a partir de uma árvore ou arbusto.
Quais são o lugar, a época, a pessoa e a causa da invenção do Ogham? Não é difícil. Seu lugar é a ilha da Irlanda, onde vivemos nós, os irlandeses. Na época de Bres, filho de Elatha, rei da Irlanda, foi ele inventado. Sua pessoa (isto é, quem o inventou) foi Ogma, filho de Delbaeth, irmão de Bres, pois Bres, Ogma e Delbaeth são ali os três filhos de Elatha, filho de Delbaeth. Eis que Ogma, um homem bem versado no discurso e na poesia, inventou o Ogham. A causa de sua invenção, como uma prova de sua engenhosidade e [para] que esse discurso pertencesse ao instruído separadamente, excluindo-se os rústicos e pastores. De onde o Ogham obteve seu nome, de acordo com o som e a matéria, quem são o pai e a mãe do Ogham, qual é a primeira letra que foi escrita pelo (isto é, com o) Ogham e por quê o “b” precede toda letra?
 O Ogham, de Ogma, foi inicialmente criado com relação a seu som de acordo com a matéria. Entretanto, ogum é og-uaim, aliteração perfeita, que os poetas aplicam à poesia por meio dele, pois pelas letras o gaélico é medido pelos poetas. O pai do Ogham é Ogma, a mãe do Ogham é a mão ou a faca de Ogma.”
Fragmento do Lebor Ogaim
O terceiro texto medieval que trata sobre Ogham chama-se De dúilib feda na forfed.
Uma cópia do In Lebor Ogaim precede o Auraincept no Livro de Ballymote, mas com variedades de outras e “secretas” formas de escrever com Ogham.

Dicas de estudos do Ogham


Dicas de estudos do Ogham por Osvaldo R Feres




É preciso seguir três etapas para ter um bom resultado ao interpretar uma jogada de Ogham.
1º – Estudo
Sim, é preciso estudar muito! Existe muita coisa sobre Ogham, algumas boas, outras ruins, mas antes de classificar o que é bom do que é ruim, é preciso muito estudo, dedicação e claro, discernimento. (todos nós somos passiveis ao erro, não existe alguém perfeito ou um mestre que possa nos instruir, o máximo que um mestre pode fazer é nos guiar, mas o caminho somos nós que escolhemos!)
A melhor forma de estudar o Ogham (e a mais segura também) é através dos glossários medievais. Nestes textos medievais (Auraicept na n-Éces e o In Lebor Ogaim) cada fid está associado a uma árvore, arbusto, cor, ave, palavra chave, enfim… Essas associações são de grande ajuda ao interpretar uma leitura.
Outra forma de estudar o Ogham é através das árvores e arbustos que compõem os feda. Esse estudo é muito vasto e pode se estender desde a estrutura botânica das árvores até o seu uso no folclore das terras celtas.
Existe muita coisa pra estudar tratando-se de Ogham.
2º – Meditação
O ser humano afastou-se das suas origens naturais, perdeu o contato com os espíritos da natureza, desligou-se do sagrado. A meditação é uma forma de reaproximação com essas forças primordiais.
Aprenda a ouvir o que o Ogham tem a vos dizer!
Existe uma infinidade de meditações, umas com tambores, outras com mantras e ainda outras silenciosas, há aquelas em que são conduzidas por um guia e as solitárias. Escolha aquela que seja melhor para você!
Uma forma fácil de meditação é escolher um fid por semana e pelo menos 1 hora por dia se dedicar a ela, perguntando para si: quais os significados que ela representa?  Qual o seu papel na mitologia? O que aquela árvore/letra tem a me dizer?
Feito isso, o segundo passo foi dado e você já estará apto para a 3º etapa.
3º – Intuição
Bem… não tem muito o que escrever sobre a intuição, ela simplesmente acontece!
Intuição significa “íntimo da ação”, ou seja, buscar dentro de si a conclusão sobre algo. A intuição é, sem dúvida, a melhor forma de interpretação em uma jogada de Ogham ou qualquer outro oráculo.
Como foi dito, não é preciso nada para despertar a intuição, ela simplesmente acontece, ou não acontece. Em alguns casos, quando utilizamos a intuição, já sabemos a resposta para a situação, antes mesmo que a pergunta seja feita.
A intuição dura segundos, o que tiver pra falar, fale naquele momento!  Mesmo que o Ogham diga uma coisa, se a intuição falar mais alto é ela que deve ser dita, sem hesitação.
E quando a intuição falhar?
Oras, por isso que é preciso passar pela 1º e 2º etapa, anteriormente explicadas. Se a intuição falhar, entendemos o porquê de todo aquele tempo de estudo e meditação, e então a leitura é feita por associações. Com o tempo você irá perceber que a intuição não acontece em todas as leituras e é imprescindível estudar e meditar para que na hora da leitura o oraculista não fique sem saber o que dizer.

“Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo – o único caminho é a intuição” – frase atribuída a Albert Einstein (1879-1955)

Áicme Beith


Áicme Beith por Osvaldo R Feres

A seguir, apresento uma breve descrição de cada fid, baseando-me principalmente no Auraicept e suas associações. Note que no final de cada fid coloco algumas palavras-chave, essas palavras-chave foram tiradas de algumas interpretações pessoais e outras de alguns livros. Não descrevi as associações mitológicas ou folclóricas das árvores, pois não é o propósito deste trabalho.

Beith
Letra: B
Tradução: Bétula
Nome científico: Betula pendula
Galês: bedwen
Cor: bán (branco)
Bríatharogam Morainn mac Moín: féochos foltchain “Pé murcho e cabelos finos”
Bríatharogam Maic ind Óc: glaisem cnis “A mais prateada das peles”
Bríatharogam Con Culainn: maise malach “A beleza das sobrancelhas”
Palavras-chave: Graça, origens, começos, eloquência, proteção espiritual, delicadeza, avisos.

Luis
Letra: L
Tradução: Chama
Árvore: Sorveira
Nome científico: Sorbus aucuparia
Galês: cerdinen
Cor: liath (cinza)
Bríatharogam Morainn mac Moín: lí súla “Brilho dos olhos”
Bríatharogam Maic ind Óc: carae cethrae “Amigo do gado”
Bríatharogam Con Culainn: lúth cethrae “Sustento do gado”
Palavras-chave: Proteção mágica, animais, fartura, alimento, riqueza, vitalidade.

 Fearn
Letra: F, V
Tradução: Amieiro
Nome científico: Alnus glutinosa
Galês: gwernen
Cor: flann (vermelho-sangue)
Bríatharogam Morainn mac Moín: airenach fían “Vanguarda de guerreiros”
Bríatharogam Maic ind Óc: comét lachta “Recipiente do leite”
Bríatharogam Con Culainn: dín cridi “Proteção do coração”
Palavras-chave: Proteção física e emocional, preparação, profecia, contenção, limites.

Saille
Letra: S
Tradução: Salgueiro
Nome científico: gênero Salix
Galês: helygen
Cor: sodath (uma cor delicada)
Bríatharogam Morainn mac Moín: lí ambi “Palidez de um sem vida”
Bríatharogam Maic ind Óc: lúth bech “Sustento das abelhas”
Bríatharogam Con Culainn: tosach mela “Início do mel”
Palavras-chave: Morte, candura, ancestrais, mistérios, negação, tempo, intuição.

Nion
Letra: N
Tradução: Forquilha
Árvore: Freixo
Nome científico: Fraxinus Excelsior
Galês: onnen
Cor: necht (uma cor clara)
Bríatharogam Morainn mac Moín: costud síde “Estabelecer a paz”
Bríatharogam Maic ind Óc: bág ban “Orgulho das mulheres”
Bríatharogam Con Culainn: bág maise “Orgulho da beleza”

Palavras-chave: Beleza, feminilidade, paz, harmonia, amigos, competição, habilidade

Áicme Húath


Áicme Húath por Osvaldo R Feres

A seguir, apresento uma breve descrição de cada fid, baseando-me principalmente no Auraicept e suas associações. Note que no final de cada fid coloco algumas palavras-chave, essas palavras-chave foram tiradas de algumas interpretações pessoais e outras de alguns livros. Não descrevi as associações mitológicas ou folclóricas das árvores, pois não é o propósito deste trabalho.

Húath
Letra: H
Tradução: Horror
Árvore: Pilriteiro
Nome científico: Crataegus monogyna
Galês: draenen wen
Cor: úath (terrível)
Bríatharogam Morainn mac Moín: condál cúan “reunião das matilhas”
Bríatharogam Maic ind Óc: bánad gnúise “Empalidecer das faces”
Bríatharogam Con Culainn: ansam aidche “Mais difícil à noite”
Palavras-chave: Medo, solidão, obstáculos, conflitos, acidentes, pesadelos.]


Duir
Letra: D
Tradução: Carvalho
Nome científico: gênero Quercus
Galês: derwen
Cor: dubh (preto)
Bríatharogam Morainn mac Moín: ardam dosae “A mais exaltada das árvores”
Bríatharogam Maic ind Óc: grés soír “Trabalho do artesão”
Bríatharogam Con Culainn: slechtam soíre “Mais entalhada do artesanato”
Palavras chave: Resistência, habilidade, força, longevidade, exaltação, verdade, portais.

Tinne
Letra: T
Tradução: Lingote
Árvore: Azevinho
Nome científico: Ilex aquifolium
Galês: celynnen
Cor: temen (cinza escuro)
Bríatharogam Morainn mac Moín: trian roith “Uma das três partes de uma roda”
Bríatharogam Maic ind Óc: smiur gúaile “Medula da lenha (ferro derretido)”
Bríatharogam Con Culainn: trian n-airm “Uma das três partes de uma arma”
Palavras chave: Forja, transformação, artes, magia, técnica, destreza, dinheiro, criatividade.

Coll
Letra: C
Tradução: Aveleira
Nome científico: Corylus avellana
Galês: collen
Cor: cron (castanho)
Bríatharogam Morainn mac Moín: caíniu fedaib “Mais bela das árvores”
Bríatharogam Maic ind Óc: carae blóesc “Amiga da casca de noz”
Bríatharogam Con Culainn: milsem fedo “Mais doce das árvores”
Palavras-chave: Sabedoria, poesia, tradição, segunda visão, percepção, inspiração.

Quert
Letra: Q
Tradução: Farrapo
Árvore: Macieira
Nome científico: gênero Malus
Galês: afal
Cor: quiar (cor de rato)
Bríatharogam Morainn mac Moín: clithar baiscill “Abrigo de um lunático”
Bríatharogam Maic ind Óc: bríg anduini “Substância da pessoa insignificante”
Bríatharogam Con Culainn: dígu fethail “trapos de roupa”

Palavras-chave: Perda, doença, pobreza, incerteza, esperança, insignificância.

Áicme Muin


Áicme Muin por Osvaldo R Feres

A seguir, apresento uma breve descrição de cada fid, baseando-me principalmente no Auraicept e suas associações. Note que no final de cada fid coloco algumas palavras-chave, essas palavras-chave foram tiradas de algumas interpretações pessoais e outras de alguns livros. Não descrevi as associações mitológicas ou folclóricas das árvores, pois não é o propósito deste trabalho.

Muin
Letra: M
Tradução: Pescoço ou amor
Árvore: Videira ou trepadeira
Nome científico: gênero Vitis
Galês: gwinwyden
Cor: mbracht (multicor)
Bríatharogam Morainn mac Moín: tressam fedmae “O mais forte no esforço”
Bríatharogam Maic ind Óc: árusc n-airlig “Condição do massacre”
Bríatharogam Con Culainn: conar gotha “Caminho da voz”
Palavras-chave: Amor, ilusão, canto, desejo, respeito, falsidade, trabalho, esforço.

Gort
Letra: G
Tradução: Jardim
Planta: Hera
Nome científico: Hedera helix
Galês: eiddew, “hera”, garth, “jardim”
Cor: gorm (azul)
Bríatharogam Morainn mac Moín: milsiu féraib “Mais doce que a grama”
Bríatharogam Maic ind Óc: ined erc “Local adequado para as vacas”
Bríatharogam Con Culainn: sásad ile “Satisfação das multidões”
Palavras-chave: Abundancia, felicidade, generosidade, fertilidade, paciência, ciclos.

nGédal
Letra: Ng
Tradução: Ferida ou encanto
Planta: Junco ou Giesta
Nome científico: Cytisus striatus (giesta) Juncus effusus (Junco)
Galês: eithin (junco)
Cor: Nglas (verde)
Bríatharogam Morainn mac Moín: lúth lego “Sustento de uma médico”
Bríatharogam Maic ind Óc: étiud midach “Vestes dos médicos”
Bríatharogam Con Culainn: tosach n-échto “Início da mortandade”
Palavras chave: Cura, medicina, morte, regeneração, ferida, saúde.

Straiph
Letra: Ss, Z
Tradução: Enxofre
Árvore: Espinheiro-negro
Nome científico: Prunus spinosa
Galês: draenen ddu
Cor: sorcha (uma cor brilhante)
Bríatharogam Morainn mac Moín: tressam rúamnai “Vermelho mais forte”
Bríatharogam Maic ind Óc: mórad rún “Aumento dos segredos”
Bríatharogam Con Culainn: saigid nél “Buscar das nuvens”
Palavras chave: Segredo, magia, mistérios, coisas ocultas, perigo, sacrifício, mudanças.

Ruis
Letra: R
Tradução: Vermelhidão
Árvore: Sabugueiro
Nome científico: Sambucus nigra
Galês: ysgawen
Cor: ruadh (ruivo)
Bríatharogam Morainn mac Moín: tressam rúamnai “Mais intenso rubor”
Bríatharogam Maic ind Óc: rúamnae drech “Corar das faces”
Bríatharogam Con Culainn: bruth fergae “Brilho da raiva”

Palavras chave: Vergonha, raiva, perda do controle, sensualidade, términos, culpa, ciúmes.