sábado, 4 de fevereiro de 2017

Escolas de Interpretação do Ogham

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No vídeo explico o que denominei de "Escolas de Ogham", ou seja, as diversas vertentes de interpretação oracular do Ogham.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Precisamos falar sobre a Janela de Fionn...

Precisamos falar sobre a Janela de Fionn...

Por Osvaldo R Feres

A janela de Fionn (Fege Finn) é um diagrama encontrado no Livro de Ballymote, onde os feda são organizados em cinco círculos concêntricos.
Há muitas teorias modernas sobre o real significado desse diagrama, talvez a chave para esse enigma seja o próprio nome Fege Finn. A palavra Fege ou Feige pode significar tanto uma janela, quanto a cumeeira ou o poste central que sustentava a casa circular da idade do ferro, desta forma, o Fege Finn simboliza o telhado de uma casa celta. Em meditações druídicas a Janela de Fion funciona como um portal para outros mundos ou mesmo a representação simbólica da árvore do mundo por onde o druida escala para descobrir novos reinos.


Alguns estudiosos do ogham sugerem que a Janela de Fionn seja um mapa associado às províncias da Irlanda (há outros que o associam ao escudo do herói Fionn). No antigo texto Suidigud Tellaig Temra a Irlanda é assim dividia por Fintan “conhecimento no oeste, batalha no norte, prosperidade no leste, música no sul, realeza no centro”.
Apesar de não concordar completamente com essa teoria (que a Janela de Fionn é um mapa associado às províncias irlandesas), devo reconhecer que é muito interessante essa associação para fins oraculares, contudo, antes de qualquer associação às direções, vamos dar uma olhada nos antigos mapas da Irlanda.


Ortelius, Abraham, 1527-1598



Pelo que vimos, muitos mapas antigos da Irlanda eram orientados para o oeste e não para o norte, como é hoje. Sabemos que alguns mapas medievais europeus eram orientados para leste, direção do sol nascente, mas curiosamente os mapas irlandeses voltavam-se para o oeste e isso não é, para mim, um mero acaso. Como sabemos, muitos mitos irlandeses mencionam viagens e jornadas ao desconhecido oeste, local onde encontra-se o grande oceano pontilhado de ilhas sobrenaturais, morada das fadas e dos ancestrais. Se realmente associarmos as províncias irlandesas ao Fege Finn devemos, creio eu, respeitar essa orientação. Voltemos à Janela de Fionn…
Cada aicme é nomeado (e por extensão, regido) por um fid, desta forma, no alto temos o aicme Beith, a base e o fundamento de todos os outros feda; do lado esquerdo do diagrama está o aicme hÚath, os primeiros desafios, etc. Portanto:
  • O aicme Beith está associado ao oeste, como nos antigos mapas irlandeses, à província de Connacht e ao Conhecimento. Repare que o oeste é o local conhecido por ser a morada dos ancestrais e fadas, fonte de sabedoria e conhecimento. A primeira letra ogâmica criada foi um beith.
  • Do lado esquerdo da figura está o norte, associado à província de Ulster, descrito como o local das Batalhas e obstáculos, intimamente associado ao significado oracular do fid hÚath (medo, perigo), o regente do aicme de mesmo nome.
  • Abaixo encontra-se o aicme Muin e o leste, associado à Leinster e à Prosperidade. O significado oracular de Muin, regente do aicme do mesmo nome, é trabalho/esforço/sacrifício e, segundo minha interpretação, simboliza o caldeirão sacrificial da abundância (Santo Graal) fonte da prosperidade.
  • Finalmente, do lado direito da figura está o aicme Ailm e o sul, associado à Mulster e à Música. Ailm, regente do aicme de mesmo nome, simboliza o primeiro som que um recém-nascido emite, ou seja, a origem de todo som, música ou poesia.


Desta forma temos:
  • Oeste – Aicme Beith “bétula” (província Connacht, Conhecimento)
  • Norte – Aicme hÚath “medo” (província Ulster, Batalhas)
  • Leste – Aicme Muin “amor/pescoço” (província Leinster, Prosperidade)
  • Sul – Aicme Ailm “gemido” (província Munster, Música)

Na próxima postagem falarei sobre um possível método oracular com Fege Finn associado às províncias da Irlanda… até lá.

Osvaldo R Feres /|\

sábado, 10 de dezembro de 2016

Método dos 3 Mundos

Método dos 3 Mundos
Por Osvaldo R Feres

Como visto anteriormente, a cosmologia celta é composta por três “reinos” ou mundos (Terra, Mar e Céu). Para ver a relação entre Ogham e a cosmologia celta clique AQUI.
O número 3 tinha um especial valor pelos antigos celtas, comprovado pela abundância de triplicidades encontrados na arte, filosofia e espiritualidade desse povo.
Esse método, comum entre alguns druidas e reconstrucionistas, foi adaptado por mim, tornando a jogada mais dinâmica e intuitiva. A toalha oracular é divida em 3 círculos concêntricos com inscrições ogâmicas, como na figura abaixo.


  • Primeiro sorteia-se de 3 a 9 feda (há alguns vates que utilizam os 20 feda) da bolsa ou saco onde está guardado seu conjunto ogham, sem escolhê-los. Deve-se lançá-los de uma só vez sobre a toalha a partir do centro. A interpretação é feita de acordo com as posições dos feda sobre os círculos.
  • No círculo interno está escrito em ogham Talam, que significa “Terra” e representa tudo o que é concreto e objetivo, relaciona-se ao mundo físico como o corpo, a saúde, o trabalho, o sexo, o dinheiro, etc. Indica também o momento presente e as mensagens ou conselhos dos espíritos da natureza.
  • No próximo círculo está escrito Muir, ou seja, “Mar”, pois o mar envolve a terra. Representa todo os aspectos emocionais do consultante, como raiva, tristeza, medo e alegria. Indica também acontecimentos passados que estão influenciando a vida presente do consultante e mensagens ou conselhos dos ancestrais. Simboliza o subconsciente.
  • Por fim, no círculo externo está escrito Nem, isto é, “Céu”, que encobre os demais mundos. Representa toda influência espiritual na vida do consultante, como inspiração e conselhos divinos. Indica acontecimentos futuros e qual é o melhor caminho para a solução da questão exposta. Simboliza o inconsciente.
  • Os feda que caírem fora da toalha são descartados, mas costumo verificá-los e interpreto-os como influências externas.
  • Se um fid cair entre dois círculos, serão interpretados os dois aspectos oraculares.
  • Se um fid cair invertido ou inclinado o significado oracular não muda. Normalmente deixo que a intuição indique qual fid está vibrando seu aspecto inverso.

Osvaldo R Feres /|\

domingo, 16 de outubro de 2016

Forfeda: Significados Básicos

Forfeda: Significados Básicos 
por Osvaldo R Feres


fonte da imagem: Divine Ogham


Forfeda é um grupo de ditongos que foram adicionados posteriormente ao conjunto de 20 feda do Ogham original. Há poucas inscrições Ogham que apresentam os forfeda e acredita-se que nem todos eles eram originalmente ditongos.
Sabe-se que o forfid Iphín, por exemplo, era conhecido como Pin (de Pinus, pinheiro ou spina, espinho em latim) e era utilizado como equivalente à letra P do alfabeto latino, som desconhecido em irlandês antigo. Posteriormente esse forfid passou a ser descrito como o ditongo IO e para representar a letra P foi criado, pelos estudiosos medievais, uma nova letra, Peith. 
Os estudiosos medievais associaram cada forfid, assim como cada fid, a uma árvore ou arbusto, contudo, somente o forfid Iphín aparentemente tem origem em nome de árvore, no caso, pinheiro ou espinheiro.
Como dito, os forfeda aparecem poucas vezes em inscrições Ogham, com exceção do forfid Éabhadh ou Ebad, que foi utilizado para expressar a letra K, referente à palavra Koi. Segundo McManus, essa expressão significa algo como “aqui jaz” e é o equivalente ogâmico da expressão latina Hic Iacit.
Robert Graves, em seu livro Crane Bag and Other Disputed Subjects, relaciona cada forfid a um objeto encontrado dentro da Bolsa de Garça, uma bolsa fantástica pertencente ao deus dos mares Manannan Mac Lir. Colin e Liz Murray, aparentemente, influenciados por Graves, desenvolveram os significados oraculares dos forfeda de acordo com a teoria da bolsa de garça.
Alguns dos significados de Colin e Liz Murray me parecem um tanto que estranhos, por exemplo, no livro The Celtic Tree Oracle, o primeiro forfid, Éabhadh, é citado como Koad, o bosque. Não faço ideia qual fonte foi consultada para chegar em tal significado, provavelmente seja uma referência à letra K, como descrito anteriormente.  Alguns acreditam que seja uma tentativa de Colin e Liz em resolver o enigma da bolsa de garça, mas, ainda assim, não está claro qual a fonte dos significados para os forfeda no livro dos Murray.
Como de costume, para chegar aos significados oraculares dos forfeda, me baseio nas palavras ogham encontradas no Tratado de Ogham e no Auraicept na n-Éces, também tenho como referência o livro Ogam: Weaving Word Wisdom de Erynn Rowan Laurie, mas não descarto totalmente as contribuições de Robert Graves, Liz e Colin Murray, e John e Caitlin Matthews.
Como os forfeda foram adicionados ao Ogham posteriormente, há muitos vates, inclusive eu, que não os utilizam para fins oraculares, pelo menos não como varetas, mas sim desenhados em toalhas. Contudo, há muitas pessoas que os utilizam em conjunto com os demais feda, desta forma, resolvi compartilhar os significados oraculares básicos de cada forfid e uma pequena explicação. Para ver os significados básicos de cada fid do Ogham clique Aqui.

Ébhadh:
Álamo 
Ditongo: EA
Tradução: Desconhecido, talvez Salmão
Bolsa de Garça: Tesouras do rei da Escócia
Significados: Sabedoria, longevidade e ancestralidade.
Palavra Ogham de Con Culainn: caínem éco “mais formoso dos peixes”
Talvez a tradução da origem do nome desse forfid seja “Salmão” e isso fica evidente na palavra ogham, referindo-se a ele como o mais belo dos peixes. O Salmão é considerado um símbolo de sabedoria e longevidade entre os celtas.

Oir:
Hera ou Evônimo Europeu
Ditongo: OI
Tradução: Ouro
Bolsa de Garça: Elmo do rei de Lochlainn
Significados: Beleza, riqueza e reconhecimento.
Palavra Ogham de Maic ind Óc: lí crotha “esplendor da forma”
A origem da palavra significa Ouro, o mais nobre dos metais, símbolo de riqueza e beleza. Seu formato lembra um fuso, como vimos, o fuso representa o estabelecer da paz.

Uilleann:
Madressilva
Ditongo: UI
Tradução: Cotovelo
Bolsa de Garça: Gancho de ferreiro de Goibniu
Significados: Transição, flexibilidade e ciclicidade
Palavra Ogham de Maic ind Óc: cubat oll “grande cotovelo”
Esse forfid assemelha-se a uma espiral, símbolo de movimento e mudança. A origem de seu nome significa cotovelo e denota flexibilidade.

Pin ou Iphín:
Groselha ou Espinheiro
Ditongo: IO (originalmente correspondia à letra P)
Tradução: Espinho ou Mel
Bolsa de Garça: Ossos do porco de Assal
Significados: Alegria, ternura e conforto
Palavra Ogham de Morainn mac Moín: milsem fedo “mais doce das árvores”
Este forfid está relacionado ao mel, portanto, à doçura e alegria que há em nossas vidas.

Eamhancholl:
Faia
Ditongo: AE (originalmente correspondia às letras CH ou X)
Tradução: Gêmeo da Aveleira
Bolsa de Garça: Camisa de Manannan
Significados: doença, lamento e aflição
Palavra Ogham de Morainn mac Moín: lúad sáethaig “gemido de uma pessoa doente”

A palavra ogham refere-se a uma pessoa fraca ou doente, que se expressa através de gemidos de dor. “Gêmeo da Aveleira” remete ao formato da letra.

Osvaldo R Feres /|\

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Significados Básicos Inversos do Ogham

Significados Básicos Inversos do Ogham 
por Osvaldo R Feres

Imagem: imgrum @ogham.ru 

Todos os feda possuem aspectos positivos e negativos, ou melhor, todos nos proporcionam dádivas e desafios, portanto, é importante analisar cada fid e seus múltiplos significados oraculares. Particularmente não utilizo fid invertida em minhas jogadas, mas, dependendo do método, utilizo o significado inverso para elucidar e demonstrar ao consulente quais os desafios a serem superados.
Veja que nem todos os significados inversos são negativos, por exemplo, Beith inverso nos demonstra que o consulente precisa arriscar-se mais para atingir seus objetivos, claro que isso implica momentos de dor e provações, um processo inevitável para quem busca novos caminhos e purificação.
Para ver os significados básicos clique Aqui.

Segue abaixo os significados básicos invertidos de cada fid:

Beith
Bétula
Tradução: Bétula
Significado Inverso: Sofrimento, provações e riscos.

Luis
Sorveira-brava
Tradução: Chama/Erva
Significado Inverso: Estagnação financeira, ataques e cegueira psíquica.

Fearn
Amieiro
Tradução: Amieiro
Significado Inverso: Solidão, depressão e paralisação.

Sail
Salgueiro
Tradução: Salgueiro
Significado Inverso: Contaminação, embriaguez e finalização.

Nion
Freixo
Tradução: Forquilha
Significado Inverso: Intriga, desentendimentos e fofoca.

hÚath
Espinheiro-alvar
Tradução: Horror/Medo
Significado Inverso: Coragem, honra e trabalho em equipe.

Duir
Carvalho
Tradução: Carvalho
Significado Inverso: Dúvida, injustiça e instabilidade.

Tinne
Azevinho
Tradução: Lingote
Significado Inverso: Estafa, inaptidão e grosseria.

Coll
Aveleira
Tradução: Aveleira
Significado Inverso: Ignorância, falta de orientação e ceticismo.

Quert
Macieira
Tradução: Farrapo/Arbusto
Significado Inverso: Abrigo, reflexão e proteção.

Muin
Videira
Tradução: Amor/Pescoço
Significado Inverso: Apego, preguiça e egoísmo.

Gort
Hera
Tradução: Jardim/Campo
Significado Inverso: Perdas, tempo de maturação e enfraquecimento.

nGétal
Junco
Tradução: Ferir/Perfurar
Significado Inverso: Doenças, ferimentos e drogas.

Straif
Espinheiro-negro
Tradução: Enxofre
Significado Inverso: Revelação, solução e energia.

Ruis
Sabugueiro
Tradução: Vermelhidão
Significado Inverso: Calma, serenidade e esmorecimento.

Ailm
Abeto ou Pinheiro
Tradução: Desconhecido/Talvez Gemido
Significado Inverso: Morte, consumação e término.

Onn
Tojo
Tradução: Freixo
Significado Inverso: Atrasos, estagnação e tédio.

Ur
Urze
Tradução: Terra/Solo/Argila
Significado Inverso: Crescimento, esperança e regeneração.

Edad
Álamo-tremedor
Tradução: Desconhecido
Significado Inverso: Traição, falsidade e separação.

Idad
Teixo
Tradução: Desconhecido/Talvez Teixo
Significado Inverso: Esquecimento, ingratidão e desrespeito.



Osvaldo R Feres /|\  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Canção de Amergin por Osvaldo R Feres

A Canção de Amergin 

(Tradução e adaptação poética por Osvaldo R Feres)



Sou a brisa sobre o mar.
Sou uma vaga no âmago do mar
Sou o fragor da vaga a espumar,
Sou o cervo de sete galhadas,
Sou a águia na rocha escarpada,
Sou o olho do sol brioso,
Sou o silvedo glorioso,
Sou o javali furioso,
Sou o salmão sapiente,
Sou a água fluente,
Sou o erudito eloquente,
Sou a longa lança certeira,
Sou a divina inspiração lumeeira.
Quem traz a inspiração ardente no topo da colina?
Quem conhece o lugar onde o sol se esconde entre a neblina?
Quem sabe os mistérios das eras lunares?
Quem sabe os lugares dos descansos solares?
Quem clama para que o rebanho volte para sua morada?
Quem é o deus que deu a vida, a vitória e a brisa abençoada?
Quem é que tem a sabedoria druídica?
Sou eu que detenho a sabedoria adormecida.

Osvaldo R Feres /|\